Eu fui uma criança trans para que você não precise ser
Jake começou a T aos 16 anos apenas após ANOS de terapia e exames. Agora, as crianças recebem hormônios em chamadas de Zoom de 20 minutos. A onda de desistência está aqui e vai custar aos verdadeiros trans seu cuidado.
Visão Geral
Jake, 31, começou sua transição médica aos 16 anos após anos de terapia e cuidadosos processos de avaliação. Ele contrasta seu caminho cauteloso e multidisciplinar com as clínicas online de hoje que dispensam testosterona após uma consulta de 20 minutos por Zoom, alertando que a flexibilização dos critérios já está produzindo um aumento de pessoas que desistem da transição, que nunca foram verdadeiramente transexuais, e que a reação contrária pode prejudicar o acesso para aqueles com uma condição médica legítima.
Resumo Completo do Vídeo
Jake, um homem trans de 31 anos que vive em Chicago, relata que iniciou a transição médica aos 16 anos, após vários anos de terapia. Criado em uma pequena cidade do centro de Illinois por uma mãe solteira, cristã devota, que trabalhava como paramédica de resgate aéreo, ele se descreve como uma “moleca” clássica, que se inclinava para “coisas de menino” e sentia, desde as primeiras lembranças, que “deveria ser um menino”. No ensino fundamental II, ele dizia aos adultos que era uma “lésbica masculina”, mas, depois de conhecer um homem trans que mais tarde se tornou seu terapeuta, soube que a transição era possível. Uma avaliação cautelosa e multidisciplinar — psiquiatra, psicólogo, sessões repetidas de terapia — precedeu sua primeira aplicação de testosterona em julho de 2009, no verão anterior ao penúltimo ano do ensino médio. Sua mãe, inicialmente com medo, acabou apoiando o processo, insistindo que fosse feito “do jeito certo”. Ao longo do ensino médio, Jake lidou com a logística dos vestiários fazendo educação física como disciplina de verão e, quando sua aparência mudou o suficiente, foi discretamente autorizado a usar o banheiro masculino. Tirando xingamentos ocasionais nos corredores, os colegas em geral o aceitaram; ele atribui isso ao fato de já parecer “um cara gordinho”. Depois de se formar, mudou-se para Chicago por volta de 2013–2014 e começou a notar o que chama de “transformação em guarda-chuva” da identidade trans: termos como “não binário”, “gênero-fluido” e “transmasculino” surgiram, diluindo a especificidade que ele sentia como um homem transexual. Ao frequentar grupos de apoio locais, viu-se cercado por pessoas “que nem tentavam passar” e que esperavam conformidade automática com pronomes, acusando-o de “perpetuar a cisnormatividade”. A experiência o deixou se sentindo alienado: “Eu não deveria me sentir desconfortável indo a um grupo de pessoas trans e sentindo que não pertenço.” Jake contrasta seu caminho cuidadoso, de anos — exames de sangue antes de cada ajuste de dose, extensa papelada de consentimento informado, múltiplas cirurgias — com as clínicas online atuais, com “triagem de 20 minutos no Zoom”, que enviam testosterona pelo correio sem exames laboratoriais. Ele teme que a flexibilização do controle esteja produzindo um aumento de pessoas que destransicionam, que nunca foram de fato transexuais, e receia que a reação contrária coloque em risco o acesso para quem tem “uma condição médica legítima”. Ele fez a mastectomia masculinizadora aos 19 anos e, após uma histerectomia e cirurgias genitais em etapas (metoidioplastia seguida de faloplastia com conexão nervosa e implante erétil), agora considera sua transição “concluída”. Noivo de uma mulher trans, ele descreve uma dinâmica de “casal trans poderoso”, na qual a apoia nas fases mais iniciais da transição, ao mesmo tempo em que continua defendendo que a transição médica permaneça uma decisão adulta, rigorosamente avaliada.